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AQUECIMENTO GLOBAL - MUDANÇAS CLIMÁTICAS

PRINCIPAIS ASPECTOS DO RELATÓRIO SÍNTESE DO IPCC

O Relatório Síntese, sobre o aquecimento global, com suas consequências nas mudanças climáticas, foi divulgado pelo IPCC no dia 17 de novembro de 2007, em Valencia, Espanha.

Anteriormente, em tres cidades diferentes, foram divulgados tres relatórios parciais. O primeiro constatou que o aquecimento global é irreversível, devido aos gases de efeito estufa, que se elevou após a era industrial. O segundo relatório mostrou que uma alta de cerca de 2 C poderá significar a extinção de 30% das espécies estudadas e uma queda na produção agrícola. O terceiro relatório mostrou que a aplicação de ações de adaptação e de mitigação, com a utilização de tecnologias já disponíveis, ou que se tornarão disponíveis, permitirá reduzir a emissão de gases estufa e atenuar os seus efeitos. Esta é síntese do quarto relatório, incorporando os anteriores de 2007, a ser emitido.

Este relatório é o de número quatro. O primeiro foi publicado em 1990 e levou à criação da Convenção do ONU, em relação às mudanças climáticas, durante a ECO - 92, no Rio de Janeiro. O segundo relatório, de 1995 foi usado para o Protocolo de Kyoto, de 1997, que estabeleceu metas para a redução dos gases de efeito estufa para os paíse industrializados, documento esse que não foi assinado pelos Estados Unidos, nem a Austrália, mas, sim, pela Rússia, o que permitiu a sua entrada em vigor.

O Relatório Síntese, sobre o aquecimento é apresentado em cinco partes. Na primeira delas afirma-se que o aquecimento do sistema climático é inequívoco. A razão desse aquecimento são os gases de efeito estufa, de origem antropogênica (produzida pelo homem). Faz-se, a seguir, uma projeção que, mantidas as atuais condições de emissões (e mesmo com eventual reduções), esse aquecimento irá continuar pelas próximas décadas, com consequências adversas para o meio ambiente e com o potencial de atingir, de forma mais dura, países e pessoas mais pobres. São diversas as consequências apresentadas no relatório. No Brasil, por exemplo, estima-se que, pela metade do século existe a possibilidade da parte leste da amazônia, se transformar numa savana. É afirmado, contudo, que existem estratégias de adaptação e de mitigação, com tecnologias já existentes, ou que possam estar disponíveis no futuro próximo, que podem diminuir as consequências adversas das mudanças climáticas. São apresentadas, também, perspectivas a longo prazo, sendo apontadas cinco razões com as quais se preocupar: riscos para ecossistemas únicos; riscos de eventos meteorológicos extremos; a distribuição desigual dos impactos e vulnerabilidades, atingido, principalmente, os mais pobres; os impactos agregados e o risco de ocorrências singulares, de grande magnitude, como uma grande elevação dos níveis dos mares, especialmente se se considerar o derretimento de regiões geladas, como as polares e a Groenlândia. Constata-se, também, que é necessário uma mudança nas atuais políticas de combate ao aquecimento, para que se possa estabilizar e, então diminuir, o rítmo de crescimento das emissões. Além disso, o combate às emissões custará dinheiro, tanto mais quanto mais e mais cedo se queira diminuí-las

Abaixo um resumo das partes do relatório

1 - Mudanças observadas no clima e os seus efeitos:

O aquecimento do sistema climãtico é inequívoco , como se tornou evidente por observações de acréscimos nas temperaturas média do ar e do oceano, derretimento generalizado da neve e gelo e aumento global do nível do mar.

Entre outras observações, constatou-se que dos últimos doze anos (1995 - 2006), onze se classificam entre os doze mais quentes desde que se começaram as medidas e registros, por instrumentos, em 1850.

Da mesma forma, o aumento do nível do mar é consistente com o aquecimento. O nível médio do mar, aumentou, desde 1961, numa proporção média de 1,8 mm/ano e sendo que proporção é de 3.1 mm/ano, desde 1993. Esse aumento do nível do mar inclui contribuições da própria expansão térmica dos oceanos, derretimento de geleiras e de placa de gelo polares.

É bastante provável, nos últimos cinqüenta anos que os dias frios, as noites frias e as geadas, tenham se tornado menos freqüentes na maioria das regiões e que os dias quentes e as noites quentes, mais freqüentes. É provável, também que as ondas de calor tenham se tornado mais freqüentes na maioria das áreas.

Além disso, evidências de observações, de todos os continentes e da maioria dos oceanos, mostram que muitos sistemas naturais estão sendo afetados pelas mudanças climáticas, em particular pelo aumento da temperatura.

Existe, também, um grau razoável de certeza de que outros efeitos de mudanças climáticas regionais em ambientes naturais ou humanos, estão surgindo, embora muitos sejam difíceis de discernir, devido à adaptação e a causas não-climáticas.

2 - Causas das Mudanças:

A emissão global dos gases de efeito estufa, devido à atividade humana, cresceram desde a era pré-industrial, com um aumento de 70% entre 1970 e 2004.

A concentração global de CO2, CH4 e N2O, aumentaram, significativamente, como resultado da atividade humana, desde 1750 e, hoje, excedem, de longe, os valores da era pré-industrial.

A maior parte do aumento observado na temperatura média global, desde a metade do século 20 é muito provavelmente devido ao aumento observado das concentrações de gases do efeito estufa, de origem antropogênica (devido ao homem). É provável que tenha havido um aquecimento antropogênico significativo da temperatura média global (excluindo-se a Antártida).

O aquecimento antropogênico, ao longo das últimas três décadas teve, provavelmente, uma influencia discernível e em escala global, nas mudanças observadas em muitos sistemas físicos e biológicos.

3 - Mudanças projetadas (previstas) para o clima e seus impactos:

Existe um auto grau de concordância e muita evidência que, com as atuais políticas de mitigação das mudanças climáticas e práticas de desenvolvimento sustentado associadas, a emissão global dos gases de efeito estufa, continuarão a crescer ao longo das próximas décadas.

A emissão continuada dos gases de efeito estufa, nos níveis atuais, ou acima deles, causarão mais aquecimento e induzirão muitas modificações no sistema climático global durante o século 21, que serão, muito provavelmente, superiores àqueles do século 20.

A previsão, considerando-se vários cenários, é que a temperatura suba, no final do século 21, em relação ao final do século 20, entre 1.8ºC e 4.0ºC (ou, considerando-se as incertezas entre 1.1ºC e 6.4ºC).

Em relação à elevação do nível do mar, a estimativa vai entre 0,18m e 0,59m

Deve ser notado que mesmo que a concentração dos gases de efeito estufa e dos aerossóis se mantenham constantes, aos níveis do ano 2000, pode-se esperar um aquecimento de 0,1ºC por década.

Existe, agora uma confiança maior do que no "Third Assessment Report" (TAR) de 2001 sobre o aquecimento e outras características, em escala regional, incluindo mudanças no padrão dos ventos, precipitações (chuvas) e alguns aspectos de extremos e de mar congelado.

Tais modificações regionais incluem, entre outras:

•  aquecimento maior sobre a parte terrestre e nas latitudes mais ao norte e menor nos oceanos do hemisfério sul e em partes do Atlântico Norte e continuidade de tendências observadas recentemente, como a contração de áreas cobertas pela neve;

•  Muito provavelmente o aumento da freqüência de extremos de calor, ondas de calor e precipitações intensas;

•  Probabilidade do aumento da intensidade dos ciclones tropicais;

•  Muito provavelmente aumento das precipitações em altas latitudes e, provavelmente, decréscimo na maiorias das regiões terrestres sub-tropicais, de acordo com tendências recentes.

Todos os países e regiões, sofrerão impactos resultantes das mudanças climáticas. O Relatório Síntese apresenta uma tabela com os impactos esperados para a África, Ásia, Austrália e Nova Zelândia, Europa, América Latina, América do Norte, Regiões Polares e as Ilhas Oceânicas.

Como exemplo desses impactos prevê-se, na África, em 2020, que entre 75 e 250 milhões de pessoas poderão estar sujeitas a problemas de suprimento de água, devido à mudança climática. Na Ásia, por volta de 2050 prevê-se o decréscimo da disponibilidade de água doce nas região central, no sul, no leste e no sudeste, em particular em grandes bacias hidrográficas. Na Austrália prevê-se um perda significativa de biodiversidade em alguns locais ricos, ecologicamente, como a grande barreira de corais. Na Europa, além da redução de áreas montanhosas nevadas, alterando o turismo de inverno, prevê-se na região sul, a piora das condições climáticas, com altas temperaturas e secas e a redução da disponibilidade de água, do potencial hidroelétrico, redução do turismo de verão e queda da produtividade agrícola. Na América Latina, no Brasil em especial, prevê-se que, pela metade do século, a região semi-árida poderá se tornar árida e, particularmente, existe o risco da parte leste da Floresta Amazônica tornar-se numa savana. Na América do Norte o aquecimento nas montanhas ocidentais, implicará na diminuição das áreas nevadas, mais inundações no inverno e cursos de água diminuídos no verão, exacerbando a competição por recursos de água já bastante comprometidos. Nas regiões polares projeta-se que ecossistemas e habitats específicos tornem-se vulneráveis, à medida que as barreiras climáticas a invasões de espécies seja diminuída. Em pequenas ilhas como, por exemplo, no Pacífico e no Caribe, prevê-se que pela metade do século, as mudanças climáticas reduzirão os recursos hídricos ao ponto onde os mesmos poderão se tornar insuficientes para atender a demanda, durante períodos de pouca chuva.

A absorção do carbono antropogênico, desde 1750, tem tornado os oceanos mais ácidos, o que pode ter impactos negativos nos corais e as espécies que deles dependem.

Outros fenômenos e tendências dos mesmos, são:

•  Sobre a maioria das áreas terrestres menos noites frias mais quentes, dias quentes, mais quentes e mais freqüentes, bem como mais noites quentes (virtualmente certo);

•  Aumento da freqüência de ondas de calor sobre a maioria das áreas terrestres (muito provavelmente);

•  Eventos com grandes precipitações. Aumento da freqüência sobre a maioria das áreas (muito provavelmente):

•  Aumento das áreas afetadas por secas (provavelmente);

•  Aumento da intensidade dos ciclones tropicais (provavelmente);

•  Aumento na incidência de níveis do mar, extremamente elevados,excluindo-se os tsunamis (provavelmente)

Os fenômenos acima terão impactos na saúde da humanidade, que variam desde a redução da mortalidade devido ao decréscimo da exposição ao frio, até o aumento da mortalidade devido aos efeitos do calor, em especial dos mais desprotegidos, como os idosos, as crianças e aqueles cronicamente enfermos e isolados socialmente. Os problemas à saúde humana também irão decorrer da escassez de água e de alimentos e pela conseqüência de inundações provocadas por fenômenos naturais, exacerbados pelas mudanças climáticas.

O aquecimento antropogênico pode levar a alguns impactos que podem ser abruptos ou irreversíveis, dependendo da proporção e magnitude das mudanças climáticas.

Assim, por exemplo, a perda parcial de placas de gelo, em terras polares, podem vir a implicar em aumento do nível dos oceanos de alguns metros, com severas modificações das regiões litorâneas. Prevê-se que tais mudanças possam vir a ocorrer numa escala de milênios, mas não se pode excluir a possibilidade de um aumento rápido do nível dos oceanos, numa escala de centenas de anos.

As mudanças climáticas, provavelmente, conduzirão a alguns impactos irreversíveis. Existe uma certeza média que cerca de 20%-30% das espécies já avaliadas, estarão submetidas, provavelmente, a risco de extinção, com um aumento de termperatura entre 1,5 - 2.5ºC.

4 - Opções de adaptação e mitigação

Existe um grande leque de opções de adaptação disponíveis, mas uma adaptação mais ampla do que aquela que está ocorrendo, é necessária para reduzir a vulnerabilidade às mudanças climáticas. Existem barreiras, limites e custos que não são inteiramente compreendidos.

Existem, já, algumas adaptações planejadas em relação às mudanças climáticas, mas elas são ainda limitadas. A adaptação pode reduzir vulnerabilidades, especialmente quando inseridas no âmbito de iniciativas setoriais. Existe uma alta confiança de que existem opções viáveis de adaptação, que podem ser implementadas em alguns setores, a custo baixo ou com um alta relação de benefícios - custos. Contudo, estimativas abrangentes dos custos globais e benefícios das adaptações, são, ainda, limitadas.

A capacidade adaptativa está intimamente conectada ao desenvolvimento econômico e social, e é, portanto, desuniformemente distribuída através da sociedade, como um todo, penalizando, portanto, as nações e as pessoas mais pobres. Mesmo sociedades (ou países), com alta capacidade de adaptação, permanecem vulneráveis às mudanças climáticas.

Existem estudos que indicam que que existe um alta concordância e muita evidência de um potencial econômico substancial, para a mitigação dos gases de efeito estufa nas próximas décadas, que podem contrabalançar o aumento projetado das emissões globais, ou reduzir as emissãoes abaixo dos níveis atuais.

Contudo, nenhuma tecnologia, por si só, pode proporcionar todo o o potencial de mitigação em qualquer setor. O potencial econômico de mitigação, que é, geralmente, maior do que o potencial de mercado da mitigação, só poderá ser obtido, quando políticas adequadas sejam praticadas e vários tipos de barreiras, removidas.

Os setores considerados são o hídrico, a agricultura, infraestrutura / assentamento, saúde humana, turismo, transporte e energia. Um exemplo de opções ou estratégias de adaptação no setor hídrico, seria uma expansão da coleta e guarda das águas das chuvas, técnicas de estocagem e conservação da água, reutilização da água, dessalinização, aumento na eficiência do uso da água e da irrigação. Para que essas estratégias sejam viáveis torna-se necessário um conjunto de medidas tais como uma política nacional para o uso da água e gestão integradas dos recursos hídricos, bem como uma gestão dos riscos hídricos. As principais ameças para esse setor são recursos humanos e financeiros e barreiras físicas e as oportunidades a gestão integrada dos recursos hídricos e a sinergia com os outros setores.

Um exemplo de tecnologias para a mitigação nos diversos setores, é, por exemplo, no setor de transporte, o uso veículos mais eficientes no uso do combustível, veículos híbridos, veículos a diesel mais limpo, biocombustíveis, ênfase no transporte ferroviário e metroviário e no transporte público, transporte não-motorizado, como a caminhada e bicicletas. No setor da energia (ou suprimento de energia), uma melhora na eficiência do suprimento e distribuição, mudança de carvão para gás, nas termoelétricas, energia nuclear, energia e aquecimento renováveis (energia hidráulica, energia solar, energia eólica).

O Relatório síntese apresenta, para as duas opções (adaptação e mitigação) e para os diversos setores, duas tabelas com inúmeros exemplos, dos quais os acima, são apenas uma pequena parte para ilustrar o conteúdo do Relatório, nessa área.

Existem muitas opções para reduzir a emissão global dos gases de efeito estufa, através da cooperação internacional. Existe uma alta concordância e muita evidência que uma conquista notável, do Protocolo de Kyoto, é o estabelecimento de uma resposta global às mudanças climáticas, o estímulo de um grande número de políticas nacionais e a criação de um mercado de carbono internacional e novos mecanismos institucionais que podem prover os fundamentos de futuros esforços de mitigação.

Um desenvolvimento mais sustentável, pode melhorar a capacidade de mitigação e adaptação, reduzir emissões e reduzir vulnerabilidades, mas podem existir barreiras à sua implementação. De outra parte, é muito provável que as mudanças climáticas possam diminuir o ritmo do progresso em direção ao desenvolvimento sustentável. Durante a próxima metade de século, as mudanças climáticas podem impedir que se atinja as metas de desenvolvimento.

5 - Perspectivas a longo termo.

No TAR haviam sido identificados cinco razões para preocupação, como conseqüências das mudanças climáticas. Essas mesmas preocupações persistem hoje, mas considera-se que a situação é ainda mais severa do que se imaginava. Muitos riscos são avaliados, hoje, com maior grau de confiança; outros são projetados como sendo ainda maiores ou com a possibilidade de ocorrer mesmo com aumentos menores de temperatura.

Lista-se, abaixo, as cinco razões de preocupação:

•  Riscos para sistemas únicos e ameaçados : Existem evidências novas e mais fortes de impactos observados das mudanças climáticas em sistemas únicos e vulneráveis, como as regiões polares e os ecossistemas e comunidades em montanhas de grande altura. Também são previstos um aumento do risco de extinção de espécies e danos a bancos de corais, com um grau de certeza maior do que o previsto no TAR, à medida que o aquecimento se acentua. Existe uma confiança média de que aproximadamente 20 - 30% de espécies de animais e de plantas, avaliadas até o momento, estejam, muito provavelmente sofrendo um risco maior de extinção, se o aumento da temperatura média exceder 1,5 - 2.5 ºC as temperaturas dos anos 1980 - 1999;

•  Riscos de eventos meteorológicos extremos: As respostas a alguns eventos meteorológicos extremos, ocorridos recentemente revelam um maior grau de vulnerabilidade do que o previsto no TAR. Existe, agora, uma maior certeza nos aumentos projetados das circunstâncias de secas, ondas de calor e inundações, bem nas conseqüência dos seus impactos adversos;

•  Distribuição dos impactos e vulnerabilidades: Existem diferenças claras entre as regiões e aquelas mais pobres estão mais vulneráveis às mudanças climáticas. Existe uma evidência, cada vez mais clara, de uma maior vulnerabilidade de grupos específicos, tais como os mais pobres e os mais idosos e não apenas nos países menos desenvolvidos, mas também nos países mais ricos. Existe, contudo, uma evidência crescente que áreas menos desenvolvidas e em latitudes menores estarão submetidas a um risco maior, como, por exemplo, áreas secas ( como o nordeste brasileiro) e mega deltas lacustres;

•  Impactos Agregados: Existe a evidência que quaisquer benefícios decorrentes do aquecimento, poderão ocorrer a temperaturas mais baixas que previsto anteriormente e os danos decorrentes de aumentos maiores da temperatura, serão maiores; e

•  Riscos de singularidades em larga escala: Existe uma alta confiança que o aquecimento global, ao longo dos séculos, resultará numa elevação do nível dos mares, considerando-se apenas a contribuição da expansão térmica, elevação essa que se projeta ser muito maior do aquela observada ao longo do século 20. Com isso haverá uma modificação grande das áreas litorâneas com os impactos associadas. Existe uma compreensão maior, do que na época do TAR, que contribuição adicional do degelo da Groenlândia e, possivelmente, da Antártida, pode ser maior do que o projetado.

Existe uma alta confiança que nem a adaptação, nem a mitigação, sozinhas, podem evitar todos os impactos das mudanças climáticas; contudo, as duas estratégias, podem se complementar e, juntas, podem reduzir, significativamente, os riscos da mudança climática.

Muitos impactos podem ser reduzidos, retardados ou evitados pela mitigação. Os esforços de mitigação e investimentos ao longo das próximas duas ou trés décadas terão um grande impacto nas oportunidades de se conseguir níveis de estabilização mais baixos. A demora na redução das emissões, irá colocar entraves nas oportunidades de se conseguir níveis mais baixos de estabilização e aumentará o risco de impactos mais severos das mudanças climáticas.

O Relatório Síntese apresenta uma tabela com diversas hipóteses de estabilização e posterior redução dos níveis de emissão dos gases de efeito estufa, classificando-as em seis categorias. Como resultado tem-se as previsões de aumento da temperatura global de entre 2.0 - 2.4 ºC no melhor dos casos, até 4.9 - 6.1ºC no pior dos cenários, aquele no qual não se consiga uma redução significativa das emissões, bem como se demore muito para a sua estabilização (por volta de 2060 a 2090). Concomitantemente com as temperaturas o nível do mar, considerando-se, apenas a expansão térmica, variará entre 0,4 - 1.4 metros até 1,0 - 3,7 metros.

Os custos macro-econômicos da mitigação, aumentam, quando se melhora o objetivo do nível das emissões, embora para países ou setores específicos, os custos possam variar muito, da média global.

As escolhas relativas à proporção e "timing" da mitigação dos gases de efeito estufa, envolvem o balanço dos custos econômicos decorrentes de uma redução mais rápida das emissões e dos riscos de médio e longo prazo, decorrentes da demora em se agir.

Leia o texto integral do Relatório Síntese (em inglês)