energia eólica  

 

 

QUALIDADE.ENG.BR

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U W V X Y Z

Loading

Pode não haver aquecimento global na próxima década

Um novo modelo computacional, desenvolvido por cientistas alemães da Universidade de Kiev, sugere, segundo a revista "Nature", que um resfriamento de curto prazo, devido às correntes marítimas,  poderá se contrapor ao aquecimento devido ao efeito estufa.  As temperaturas, contudo, recomeçarão a subir pelo ano 2020.  Outros cientistas  saudaram a pesquisa, afirmando que esse "período de trégua" do aquecimento, pode ajudar à sociedade, a planejar melhor o futuro.

O ponto chave da nova previsão é o ciclo natural das temperaturas dos oceanos, conhecida como Oscilação Multidecenal do Atlântico, que é relacionada com as correntes quentes, que trazem calor dos trópicos até as praias da Europa.
A causa dessa oscilação não é bem conhecida, mas parece que o ciclo se repete a cada 60 ou 70 anos.

Esse ciclo pode explicar, parcialmente, porque as temperaturas aumentaram nos primeiros anos do último século, antes de diminuirem por volta de 1940.  O resultado  dos estudos da Universidade de Kiel é que, no curto prazo, pode-se ver mudanças na temperatura média global, que não se poderiam esperar, tendo em vista os relatórios do Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas

As projeções da Universidade de Kiev divergem de outros modelos computacionais apenas por cerca de 15 a 20 anos;  depois disso passam a convergir e a temperatura sobe.

A modelagem de eventos climáticos nos oceanos é difícil, simplesmente porque existem relativamente poucos dados em alguns processos chave, tais como o comportamento da Corrente do Golfo (Gulf Stream), que leva calor em direção ao norte, no Atlântico.  Apenas nos últimos anos os pesquisadores começaram, sistemáticamente, a utilizar boias com instrumentos que, com o tempo, irão mostrar como essa circulação se comporta.

Como um substituto para medição direta na Corrente do Golfo, a equipe da Universidade de Kiev, utilizou dados de até 50 anos atrás, do Mar de Labrador,  onde a água quente troca calor com a atmosfera, antes de retornar na direção sul.

Combinando esses dados oceanográficos com os modelos estabelecidos do aquecimento global, foi possível gerar resultados dos modelos, que simulam bem as temperaturas observados em anos recentes no Atlântico norte, Europa ocidental e América do Norte.
Olhando para o futuro, o modelo projeta um enfraquecimento da Corrente do Golfo, resultando num resfriamento das águas do Atlântico Norte, mantendo relativamente constante a temperatura ao redor do mundo.  Esse fenômeno, de alguma forma, é parecido com o aquecimento e resfriamento associados a fenômenos  como El Niño e La Niña, no Pacífico.
"Existem incertezas no modelo, mas ele sugere-se  que as temperaturas permanecerão constante por um tempo e, em seguida, virá uma subida contínua, conforme previsto  nos modelos computacionais do aquecimento global".
A projeção não se constitui uma surpresa para os cientistas, embora possa sê-la para o público que, talvez, habituou-se com a ideia que o rápido aumento de temperatura visto na década de 1990 se constitui num fenômeno permanente.

Na verdade sempre se soube que o clima varia naturalmente, de ano para ano de década para década.  Espera-se, contudo, que o aquecimento global, devido às ações do homem irá se sobrepor a essa variação natural.  Assim, esse tipo de pesquisa é importante para  que não se esqueça, mesmo que o modelo de Kiev prevaleça,  das mudanças de longo prazo, como resultado das emissões de gases do efeito estufa.

Deve-se observar que esse tipo de modelagem ainda está engatinhando;  a partir do momento em que os dados possam vir, diretamente, das profundezas do Oceano Atlântico, iremos mudar o nosso conhecimento de como a Corrente do Golfo funciona e o seu significado para o clima global.

Da mesma forma como o tempo execpcionalmente frio no hemisfério norte, neste ano de 2008,  foi consequência do fenômeno "La Niña", não se pode perder de vista que mesmo que o modelo de Kiel se mostrar correto, esse fato não é uma indicação que as previsões de longo prazo, como as projeções do IPCC e outras instituições estejam equivocadas.

Enfim, repetindo e resumindo, é possível que, na próxima década, devido a efeitos da circulação das águas no Oceano Atlântico, possa se ter uma  "trégua" no processo do aquecimento global.  Cessado esses efeitos, o aquecimento global irá se manifestar novamente, conforme previsto.  Assim sendo, caso os estudos que antecipam essa "trégua" estejam corretos, será possível que se tenha um tempo maior para se tomar as medidas de remediação e mitigação do aquecimento global

 

 política de privacidade